A FNAC foi muito eficiente: os meus primeiros livros-para-mestrado chegaram.
Ainda não tive tempo de explorá-los como eu quero, mas já deu para ler dois capítulos do "Faça Acontecer" e me inspirar nos relatos da Sheryl.
E deu também para percorrer o índice e algumas poucas páginas do "Métodos de Pesquisa em Administração". E o pouco que vi já me fez pensar: este é um livro direcionado para alunos de graduação em Administração, bem como para os de pós-graduação. Ora, se os futuros administradores nos EUA utilizam este livro ainda na graduação, começo a entender alguns abismos existentes entre a pesquisa daqui e a de lá.
Por que digo isso? Bem, durante toda o curso de SI, ouvi que informação é o grande ativo de uma organização (ao lado das pessoas, claro), que ela é fonte de estratégia e competitividade, e que ela deve ser correta, de qualidade. Ora, então como obter informação de qualidade? Como elaborar um questionário que não seja tendencioso? Como selecionar uma amostra que não seja viciada? Em outras palavras, como obter, na prática, informação que realmente ajude na tomada de decisões? Isto eu não vi.
E é nesse caminho que o livro anda. Mal posso esperar para começar a obter algumas respostas...
Relatos e vivências de ex-doutoranda em Administração. Mas doutoranda não já é mestra? Ora, num idioma em que Yoda, Buda e Jesus são mestres...talvez não.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Mary Del Priore: quem diria!
Nos meus estudos de história, gênero e afins, acabei encontrando uma autora que virou uma de minhas prediletas, ao lado da Clarissa Pinkola Estés: é a historiadora brasileira Mary Del Priore. Li dois títulos: "Historia do Amor no Brasil" e "História das mulheres no Brasil".
E agora, ao ler uma entrevista, descubro que ela só entrou na faculdade aos 28 anos, depois de ser mãe de três filhos!
Nunca é tarde para aprender, recomeçar ou continuar a jornada.
E agora, ao ler uma entrevista, descubro que ela só entrou na faculdade aos 28 anos, depois de ser mãe de três filhos!
Nunca é tarde para aprender, recomeçar ou continuar a jornada.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Livros para mestrado - Parte I
Fiz a primeira compra de livros pensando diretamente no mestrado: Métodos de Pesquisa em Administração, de Cooper e Schindler. Encontrei este título nas andanças por artigos e livros aleatórios na semana passada, e me apaixonei pelo pouco que vi dele no Google Books.
Não sei se ele é melhor livro sobre o assunto, mas a avaliar pelo preço (um tanto salgado) e pelo índice, acho que fiz uma boa aquisição. Engraçado isso de pensar no preço para falar de qualidade, mas na área de Computação, é razoavelmente verdade - os grandes nomes das áreas sempre têm livros-texto entre R$ 100,00 e R$ 200,00 (C. J. Date em Banco de Dados, Kurose em Redes, etc).
No mesmo pacote veio um para fins de inspiração: Faça acontecer, da Sheryl Sandberg. Ela fala dos obstáculos à liderança feminina e propõe soluções para que as mulheres atinjam todo o seu potencial. Eu o descobri há alguns meses, depois de ver um artigo sobre a autora na cnn.com, e comprei o ebook, que foi embora na formatação do pc.
Agora é só esperar que a FNAC cumpra o prazo que me prometeu! =D
Não sei se ele é melhor livro sobre o assunto, mas a avaliar pelo preço (um tanto salgado) e pelo índice, acho que fiz uma boa aquisição. Engraçado isso de pensar no preço para falar de qualidade, mas na área de Computação, é razoavelmente verdade - os grandes nomes das áreas sempre têm livros-texto entre R$ 100,00 e R$ 200,00 (C. J. Date em Banco de Dados, Kurose em Redes, etc).
No mesmo pacote veio um para fins de inspiração: Faça acontecer, da Sheryl Sandberg. Ela fala dos obstáculos à liderança feminina e propõe soluções para que as mulheres atinjam todo o seu potencial. Eu o descobri há alguns meses, depois de ver um artigo sobre a autora na cnn.com, e comprei o ebook, que foi embora na formatação do pc.
Agora é só esperar que a FNAC cumpra o prazo que me prometeu! =D
Usar a mente coletiva
Hoje li um texto com muitos conceitos que são novidades pra mim: Mente coletiva - 8 processos sutis para operar em rede. Num resumo beeeeeem resumido (coisa de quem trabalhou demais), a essência é utilizar a a colaboração coletiva para solução de problemas. Em vez de pensar soluções isoladamente, a idéia é compartilhar as dúvidas, anseios, obstáculos, e deixar "aberto a sugestões". Parece simples, não é?
Não, não é, e senti isso minutos após ler o texto. Coincidentemente, encontrei online um amigo de longa data, que hoje mora distante. Inspirada pelas idéias de coletivo, real interação, etc., comecei a perguntar mais dos planos, metas. E pasmem: ele está com um projeto muito semelhante o meu - quer fazer doutorado.
Assim, firmamos um "compromisso de empurrão mútuo": ele me cobra, eu cobro dele. E a gente vai compartilhando o que aprende no caminho.
O engraçado é que eu já tinha encontrado com ele várias vezes antes, mas só hoje me ocorreu de questionar, de descobrir um pouco mais.
Quantas oportunidades e conexões a gente não perde simplesmente porque não compartilha?
Não, não é, e senti isso minutos após ler o texto. Coincidentemente, encontrei online um amigo de longa data, que hoje mora distante. Inspirada pelas idéias de coletivo, real interação, etc., comecei a perguntar mais dos planos, metas. E pasmem: ele está com um projeto muito semelhante o meu - quer fazer doutorado.
Assim, firmamos um "compromisso de empurrão mútuo": ele me cobra, eu cobro dele. E a gente vai compartilhando o que aprende no caminho.
O engraçado é que eu já tinha encontrado com ele várias vezes antes, mas só hoje me ocorreu de questionar, de descobrir um pouco mais.
Quantas oportunidades e conexões a gente não perde simplesmente porque não compartilha?
sábado, 12 de outubro de 2013
Ciência no Brasil: conhecendo o ambiente
Um projeto novo é sempre complicado: ficamos sem saber ao certo por onde começar, quais os riscos, qual deveria ser o escopo, quais os benefícios...Eu me sinto um pouco assim em relação a este projeto "Entrar no mestrado".
Artigos como este da Universia indicam como encontrar um tema de pesquisa, como fazer um pré-projeto, etc. Mas para mim as perguntas estão um passo atrás: o que é ciência? Qual sua importância? Qual sua aplicabilidade? Na essência: porque eu deveria gastar meu tempo fazendo ciência em vez de, sei lá, tentar virar estrela da música pop?
Acho que quem fez iniciação científica tem estas respostas mais claras, mas como expliquei aqui, este não é o meu caso. Não vou fazer mestrado porque "é o que se faz depois da graduação" - quero e preciso de motivos. Na verdade, o que estou fazendo é, como chamamos na gerência de projetos, um estudo de viabilidade: conhecendo o ambiente, analisando os prós e contras, vendo as oportunidades e riscos, etc.
E nesse "estudo", descobri questões que não conhecia. A profissionalização do cientista, por exemplo: me dei conta de que se, por um milagre do destino, eu tivesse conseguido fazer mestrado logo depois da graduação hoje eu seria uma pessoa sem FGTS, sem INSS, sem plano de saúde, sem previdência privada. Sem nada. E isto é sério: pessoas que escolhem a vida acadêmica também precisam de direitos trabalhistas e recursos financeiros tal qual aquelas que estão no mercado. Imagina uma pessoa perto dos 30 anos, com 12 anos de estudo pós-Ensino Médio, vivendo com bolsa de R$ 2.500? Isto é salário de concurso de nível médio!
Isto pode ser normal, "no Brasil é assim mesmo", "ciência não é valorizada", "ciência não dá dinheiro", mas para mim, alienígena em relação ao meio acadêmico, é simplesmente um absurdo! Esperar por um concurso de professor federal para ter um salário decente é uma perspectiva profissional demasiadamente limitada.
Outra questão foi a baixa relevância da ciência feita no Brasil, exceção feita a alguns campos como a pesquisa ligada à agricultura e neurociência, por exemplo. Por que? Li várias possíveis respostas: escolha de temas que não são "populares", "somos um país jovem", falta de cooperação internacional, preconceito em relação aos países latino-americanos e a mais óbvia - baixa qualidade das pesquisas, com pouca ou nenhuma inovação.
O que leva a outro ponto polêmico: a avaliação da produtividade de um pesquisador com base na quantidade de artigos que publica. É o caso clássico de quantidade x qualidade - inovação requer tempo e maturação - com a pressão para publicar, artigos inacabados são lançados, textos que mal dariam TCCs viram dissertações, etc.
São muitas as questões envolvidas, mas acho importante estar ciente delas para tomar decisões mais acertadas. Por exemplo: o pesquisador no Brasil também tem que ser professor, são raros aqueles que se dedicam apenas à pesquisa (pelo que li até agora, posso estar errada..rss...). Ou seja, se eu descobrir que não gosto de docência, tenho que analisar com cuidado os próximos passos.
Artigos como este da Universia indicam como encontrar um tema de pesquisa, como fazer um pré-projeto, etc. Mas para mim as perguntas estão um passo atrás: o que é ciência? Qual sua importância? Qual sua aplicabilidade? Na essência: porque eu deveria gastar meu tempo fazendo ciência em vez de, sei lá, tentar virar estrela da música pop?
Acho que quem fez iniciação científica tem estas respostas mais claras, mas como expliquei aqui, este não é o meu caso. Não vou fazer mestrado porque "é o que se faz depois da graduação" - quero e preciso de motivos. Na verdade, o que estou fazendo é, como chamamos na gerência de projetos, um estudo de viabilidade: conhecendo o ambiente, analisando os prós e contras, vendo as oportunidades e riscos, etc.
E nesse "estudo", descobri questões que não conhecia. A profissionalização do cientista, por exemplo: me dei conta de que se, por um milagre do destino, eu tivesse conseguido fazer mestrado logo depois da graduação hoje eu seria uma pessoa sem FGTS, sem INSS, sem plano de saúde, sem previdência privada. Sem nada. E isto é sério: pessoas que escolhem a vida acadêmica também precisam de direitos trabalhistas e recursos financeiros tal qual aquelas que estão no mercado. Imagina uma pessoa perto dos 30 anos, com 12 anos de estudo pós-Ensino Médio, vivendo com bolsa de R$ 2.500? Isto é salário de concurso de nível médio!
Isto pode ser normal, "no Brasil é assim mesmo", "ciência não é valorizada", "ciência não dá dinheiro", mas para mim, alienígena em relação ao meio acadêmico, é simplesmente um absurdo! Esperar por um concurso de professor federal para ter um salário decente é uma perspectiva profissional demasiadamente limitada.
Outra questão foi a baixa relevância da ciência feita no Brasil, exceção feita a alguns campos como a pesquisa ligada à agricultura e neurociência, por exemplo. Por que? Li várias possíveis respostas: escolha de temas que não são "populares", "somos um país jovem", falta de cooperação internacional, preconceito em relação aos países latino-americanos e a mais óbvia - baixa qualidade das pesquisas, com pouca ou nenhuma inovação.
O que leva a outro ponto polêmico: a avaliação da produtividade de um pesquisador com base na quantidade de artigos que publica. É o caso clássico de quantidade x qualidade - inovação requer tempo e maturação - com a pressão para publicar, artigos inacabados são lançados, textos que mal dariam TCCs viram dissertações, etc.
São muitas as questões envolvidas, mas acho importante estar ciente delas para tomar decisões mais acertadas. Por exemplo: o pesquisador no Brasil também tem que ser professor, são raros aqueles que se dedicam apenas à pesquisa (pelo que li até agora, posso estar errada..rss...). Ou seja, se eu descobrir que não gosto de docência, tenho que analisar com cuidado os próximos passos.
Adquira habilidades - em 20h!
Uma das melhores coisas que fiz nos últimos dias foi assinar o feed do Papo de Homem: todos os dias recebo dicas, crônicas, resenhas, etc. Uma dose de conteúdo rico!
E lendo o feed de hoje cheguei à palestra abaixo, que trata da aquisição de habilidades. Virou uma lenda urbana a história de que são necessárias 10.000 horas para aprender algo. Eu havia lido um artigo sobre o livro Outliers (Malcom Gladwell) e sabia que na verdade, ele se referia ao tempo para se tornar expert em algo. Na verdade, a pesquisa original menciona que, em campos ultracompetitivos (como música clássica, esportes, xadrez), profissionais de renome mundial gastam 10.000 horas entre o zero absoluto e a excelência (caso clássico de telefone sem-fio aplicado à ciência. Vi hoje um quadrinho no PhD Comics sobre isso).
Ou seja, aprender algo novo não requer 10.000 horas. E de acordo com Josh Kaufman, leva apenas 20h.
O método?
E lendo o feed de hoje cheguei à palestra abaixo, que trata da aquisição de habilidades. Virou uma lenda urbana a história de que são necessárias 10.000 horas para aprender algo. Eu havia lido um artigo sobre o livro Outliers (Malcom Gladwell) e sabia que na verdade, ele se referia ao tempo para se tornar expert em algo. Na verdade, a pesquisa original menciona que, em campos ultracompetitivos (como música clássica, esportes, xadrez), profissionais de renome mundial gastam 10.000 horas entre o zero absoluto e a excelência (caso clássico de telefone sem-fio aplicado à ciência. Vi hoje um quadrinho no PhD Comics sobre isso).
Ou seja, aprender algo novo não requer 10.000 horas. E de acordo com Josh Kaufman, leva apenas 20h.
O método?
- Desconstruir a habilidade - uma habilidade nada mais é do que uma série de "pequenas habilidades" agrupadas. Dançar música cigana, por exemplo, envolve aprender o movimento das mãos, pés, ombros, saia, pandeiro, fitas, lenço...Quanto melhor uma habilidade for decomposta, mais fácil se torna o aprendizado: fica mais fácil escolher por onde começar, onde focar, etc.
- Aprender o suficiente para se corrigir - é importante ter um material de referência, onde você possa aprender o básico necessário para perceber quando está fazendo algo errado. Mas nada de comprar 20 livros e só começar a praticar quando terminar de ler, ou então você estará desrespeitando o próximo passo
- Remover as barreiras para praticar - a maior barreira para começarmos a praticar é a emocional. Quando começamos a aprender algo é comum nos sentirmos estúpidos, e normalmente fugimos desta sensação. Além desta, é necessário obter o material necessário para começar - se o objetivo é tocar violão, é imprescindível conseguir um!
- Praticar pelo menos 20 horas - prática consciente, não de qualquer jeito! =) Prestando atenção aos erros, usando o material de referência quando preciso e claro, se divertindo! Depois destas 20h, você terá atingido o platô da curva de aprendizado: a partir daí os progressos se tornam mais lentos. Mas pra maioria das coisas que queremos aprender, um nível básico já é perfeitamente aceitável.
Palestra original:
Mestrado - a única opção?
Fico preocupada quando vejo o mestrado ser apontado como o único caminho para um estudante de graduação, ou como "o melhor". Não tenho certeza, preciso ler mais sobre isto, mas entendo que um estudante de mestrado deve ter um perfil acadêmico, voltado para a pesquisa (e ensino, nas atuais circunstâncias). Para aqueles que não têm este perfil e querem prosseguir nos estudos existe, por exemplo, o mestrado profissional (acho a ideia incrível!), especializações, cursos de atualização, certificações, etc.
"Obrigar" todos a terem um mestrado é como "obrigar" que todos tenham uma graduação. Poderíamos estar mais bem-servidos de profissionais se houvesse maior incentivo aos cursos técnicos. Já vi anúncios de emprego exigindo graduação em Administração quando a função envolvia tarefas como produção de relatórios, acompanhamento de folha de pagamento, etc. É necessário um curso de 4 anos para capacitar alguém para isso?
Li uma queixa de um professor há algum tempo, não lembro onde, sobre a inadequação do perfil dos mestrandos - ele falava algo sobre pessoas sem qualquer vocação para pesquisa, mas que queriam estar no curso. Não seria este o reflexo desta "exigência" um tanto descabida?
E enquanto escrevo isto, vem uma série de perguntas: "O perfil que tracei - sustentado pelos pais, sem amarras, etc - realmente corresponde ao perfil dos mestrandos?", "O mercado está realmente exigindo mestrado, ou estou extrapolando?", "Há problemas na seleção dos mestrandos?", "Como analisar o perfil de um candidato, e defini-lo como 'suficientemente acadêmico'?", "A entrada de mestrandos 'sem perfil' não poderia trazer benefícios também?"
"Obrigar" todos a terem um mestrado é como "obrigar" que todos tenham uma graduação. Poderíamos estar mais bem-servidos de profissionais se houvesse maior incentivo aos cursos técnicos. Já vi anúncios de emprego exigindo graduação em Administração quando a função envolvia tarefas como produção de relatórios, acompanhamento de folha de pagamento, etc. É necessário um curso de 4 anos para capacitar alguém para isso?
Li uma queixa de um professor há algum tempo, não lembro onde, sobre a inadequação do perfil dos mestrandos - ele falava algo sobre pessoas sem qualquer vocação para pesquisa, mas que queriam estar no curso. Não seria este o reflexo desta "exigência" um tanto descabida?
E enquanto escrevo isto, vem uma série de perguntas: "O perfil que tracei - sustentado pelos pais, sem amarras, etc - realmente corresponde ao perfil dos mestrandos?", "O mercado está realmente exigindo mestrado, ou estou extrapolando?", "Há problemas na seleção dos mestrandos?", "Como analisar o perfil de um candidato, e defini-lo como 'suficientemente acadêmico'?", "A entrada de mestrandos 'sem perfil' não poderia trazer benefícios também?"
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